Goleiro da Suécia Não Sabia que Garoto de 17 Anos Era Pelé Levou 2 Gols em 10 Minutos na Final Mundo
O garoto de 17 anos que a Suécia desprezou entrou no Rosunda Stadion e, diante de quase 50.000 pessoas, transformou a final da Copa do Mundo no pesadelo mais silencioso da vida de Carl Svenson.
O goleiro sueco estava debaixo da trave com a segurança de quem acreditava já ter visto tudo. Tinha 28 anos, era titular absoluto, jogava em casa, diante do próprio povo, e carregava nas luvas a esperança de um país inteiro. Do outro lado, vestindo a camisa 10 do Brasil, estava Pelé, um menino que semanas antes chorava escondido no banheiro de um vestiário porque Vicente Feola não o havia colocado em campo.
A Suécia conhecia Didi, temia Garrincha, respeitava Vavá e observava Zagalo com cautela. Mas Pelé, para muitos ali, ainda era apenas um garoto magro demais, novo demais, silencioso demais para decidir uma final. Era justamente essa arrogância que começaria a desabar.
A história daquele dia não nasceu no apito inicial. Nasceu no banco de reservas, dias antes, quando Pelé assistiu à estreia do Brasil contra a Áustria sem tocar na bola. O Brasil venceu, mas para ele aquela vitória doeu como derrota. Ele permaneceu sentado, com o agasalho da seleção, ouvindo o barulho do estádio e sentindo que o mundo passava diante dele sem abrir a porta.
No fim do jogo, entrou no banheiro, trancou-se e chorou. Chorou baixo, com raiva de si mesmo, com medo de nunca receber a chance, com o peito cheio de uma fome que ninguém via.
Garrincha ficou do lado de fora, encostado na parede, esperando. Não bateu. Não tentou consolar cedo demais. Quando Pelé saiu com os olhos vermelhos, Garrincha apagou o cigarro no chão e disse:
—Calma, moleque. Sua hora vai chegar. E quando chegar, ninguém te tira mais.
Pelé não respondeu. Apenas passou por ele e voltou ao ônibus, carregando dentro do peito uma vergonha que não combinava com o tamanho do seu talento.
Vicente Feola observava tudo de longe. Parecia distraído, mas não era. Ele via o jeito como Pelé treinava, a forma como se movimentava entre jogadores mais velhos, a coragem de pedir a bola mesmo quando todos esperavam que ele se escondesse. Feola sabia que escalar um garoto de 17 anos numa Copa do Mundo poderia ser chamado de loucura. Também sabia que manter aquele garoto no banco poderia custar ao Brasil a própria história.
Depois do empate amargo contra a Inglaterra, o clima na concentração virou faca. Dirigentes cochichavam que o Brasil era bonito, mas frágil. Jornalistas queriam mudanças. Alguns adultos diziam que Pelé não suportaria a pressão. Outros afirmavam que era irresponsável entregar uma Copa nas pernas de um menino.
Naquela noite, Feola discutiu com Paulo Amaral num quarto abafado de hotel. Amaral foi duro:
—Se esse garoto quebrar, a culpa vai ser sua.
Feola, suando, tirou os óculos e respondeu sem levantar a voz:
—Se a gente voltar sem Copa por medo, a culpa também vai ser minha. Eu prefiro perder confiando no talento do que perder protegido pela covardia.
No dia seguinte, diante de todo o grupo, ele anunciou:
—Pelé joga.
O salão ficou mudo. Mazola abaixou a cabeça. Didi olhou para Pelé com seriedade. Garrincha sorriu de canto, como se já soubesse.
—Falei que ia chegar, moleque.
Pelé sentiu as mãos tremerem. Não era só alegria. Era o peso inteiro do Brasil caindo sobre seus ombros jovens. Ele estreou contra a União Soviética com medo, mas não fugiu. Levou pancadas, girou entre marcadores, ouviu Garrincha gritar para ter calma, até que Didi encontrou o espaço e a bola chegou. Pelé recebeu, tabelou com Vavá e bateu cruzado. Gol.
Naquele instante, o menino que chorava no banheiro começou a desaparecer. Nascia outro.
Depois veio País de Gales. Depois França. Contra a França, Pelé fez 3 gols e deixou a Europa sem explicação. Os jornais que antes tratavam o Brasil como equipe exótica agora perguntavam quem era aquele garoto. Feola proibiu entrevistas. Queria proteger Pelé de uma fama que já ameaçava engoli-lo.
Mas nada protegia ninguém da final.
Na manhã de 29 de junho de 1958, Pelé acordou estranhamente calmo. Garrincha, sentado na beira da cama, fumava como sempre.
—Bom dia, campeão.
Pelé esfregou os olhos.
—Ainda não sou.
—Vai ser.
Horas depois, quando o ônibus brasileiro se aproximou do Rosunda Stadion, bandeiras suecas pareciam cobrir Estocolmo. Pelé olhou pela janela e viu um país inteiro esperando a própria glória. Dentro do vestiário, amarrou as chuteiras 3 vezes, como se cada nó segurasse também o medo.
Quando entrou em campo, o som da torcida bateu nele como uma parede. Quase 50.000 suecos gritavam. Carl Svenson ajeitou as luvas e olhou para a camisa 10 do Brasil sem imaginar que, em poucos minutos, aquele garoto mudaria a vida dele para sempre.
Aos 4 minutos, a Suécia marcou. O estádio explodiu. E, por um segundo cruel, pareceu que o Brasil inteiro ia desabar de novo...
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